O mercado de Design Médico Hospitalar

O setor médico-hospitalar mundial  movimenta cerca de 100 bilhões de dólares e vem apresentando, nos últimos anos, um crescimento médio de 2,5%. Os Estados Unidos detém praticamente metade desse mercado. Além desse país, Japão, Alemanha e França têm atuação representativa. Essas quatro nações dominam 79% dos negócios do segmento.

No Brasil, a indústria de insumos e equipamentos médico-hospitalares encontra-se, desde 1999, em ritmo de expansão. Dados de 2008 indicam um faturamento de US$ 3,96 bilhões, montante quase 150% superior ao registrado em 2003 (US$ 1,60 bilhão). A maior parte desse capital é oriunda do próprio território brasileiro: praticamente 90% dos compradores são de origem nacional, sendo que 70% deles pertencem ao setor privado.

A exportação ainda é pouco significativa: em 2008, somou US$ 581 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 2,74 bilhões (FOB). Ou seja, apesar do crescimento da produção do país, equipamentos mais complexos continuam sendo adquiridos no exterior.

O setor vem buscando vencer as dificuldades na exportação, como certificações e regras próprias de cada país, que protegem seus mercados e dificultam as vendas externas. Além disso, nações desenvolvidas e economicamente mais fortes, como os Estados Unidos, exportam para as demais sua cultura médica e padrões de procedimentos junto com seus equipamentos.

O setor é considerado propício à inovação, caracterizado pela forte demanda de produtos sofisticados e estimulado pelo desenvolvimento de novas tecnologias de diferentes segmentos como a eletrônica, informática e mecânica fina de precisão. Abrange um mix de produtos muito diversificado, com fortes componentes tecnológicos, caracterizados por envolver tanto pequenas empresas especializadas como também grandes empresas multinacionais.

O segmento também apresenta características próprias no que se refere à comercialização, uma vez que boa parte dele é movimentada por compras públicas. Grandes empresas da área possuem baixa concorrência em produtos de alta tecnologia e especificidade, âmbito em que operam com sistema de leasing para garantir reposição e manutenção, criando forte vínculo entre comprador e fornecedor.

Por não ser ainda um campo reconhecido e com forte participação na economia nacional, existem poucos indicadores econômicos, mas essas empresas são claramente uma nova vocação do setor industrial, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

 

Raio X

As estatísticas nacionais do mercado são da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO) que, em parceria com o Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo (SINAEMO), representa o segmento no país. Das 449 indústrias que atuam hoje no setor, cerca de 320 integram o quadro associativo da entidade.

A maior parte delas é de médio porte (33%). As microempresas somam 23%, as pequenas 20%, as médio-grandes 16% e as grandes 8%. Em 2008, essas organizações geraram 31,1 mil empregos diretos e 72 mil indiretos. A capital São Paulo concentra quase metade das indústrias (45%). O interior paulista abriga outras 23%, enquanto no Sul do país estão 16% delas. Os 16% restantes se encontram dispersas pelo Brasil.

A região de Ribeirão Preto (SP) é o principal polo de atividades comerciais e prestação de serviços médicos, hospitalares e odontológicos. Além disso, destaca-se por abrigar um dos principais centros de ensino em ciências biomédicas do país, o que contribui para o desenvolvimento de pesquisas e sua exploração industrial.

A área é vista como potencial para a formação de clusters , um tipo de cooperação ainda incipiente no setor. Nesse sentido, existem duas iniciativas no sul do país, a segunda região que mais concentra indústrias do segmento no Brasil:

APL de Instrumentos Médico-Odontológicos de Campo Mourão

APL de Instrumentos Médico-Odonto-Hospitalares de Curitiba.

 

Oportunidades

Em âmbito internacional, os Estados Unidos posicionam-se como o principal consumidor dos produtos brasileiros, seguidos pela Argentina e pelo México. Embora a ciência nacional tenha avançado e obtido reconhecimento fora do país, o ainda baixo investimento em tecnologia tem impedido que o Brasil amplie suas exportações e, ao mesmo tempo, gere benefícios sociais à população. O desafio é estimular as empresas a investir em conhecimento, a fim de aumentar sua competitividade. Nesse campo, o design tem um papel fundamental.

Há indústrias já atentas a isso. Uma pesquisa setorial [Link para ] realizada pela Associação dos Designers de Produto (ADP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com uma amostra de 40 empresas da área, mostrou que 87% investem em design de produto e 71% mantém essa prática há três anos ou mais. Departamentos internos de design estão presentes em 49% delas.

A maioria das participantes indicou o design como um componente estratégico, devido à sua capacidade de ampliar a participação no mercado, melhorar a imagem empresarial, reduzir custos e aumentar os lucros. Percebe-se que o design é cada vez menos encarado como um gasto e mais como uma ferramenta capaz de posicionar melhor os produtos entre os consumidores.

Especialistas indicam diversas tendências tecnológicas à espera de inovações das empresas brasileiras. Mercados potenciais para o incremento das vendas externas estão nos países emergentes da América Latina, Ásia, Europa Central e Oriental. São nações que, como o Brasil, carecem de investimentos na área de saúde. O nicho a ser explorado é o desenvolvimento de tecnologias compatíveis com as condições sociais e econômicas desses países, bastante diversas daquelas verificadas no primeiro mundo.



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