Parruda

 

Fabricante: Montana Indústria de MáquinasDesign: MFC/Design InversoAno de fabricação: 2001Prêmios: IDEA/Brasil 2008 – Ouro, IDEA/EUA 2008 – BronzeMaterial predominante: Fibra de vidro, perfis e chapas metálicasProcessos de fabricação: Moldagem em fibra de vidro, processos de corte, dobras e soldas em chapas e perfis metálicosDescrição: Pulverizador agrícola automotriz

 

Uma empresa em busca de soluções

Uma área construída de 17 mil m², com capacidade para produzir diariamente 40 unidades de diferentes modelos de produtos, tudo isso orquestrado por um corpo funcional de 406 colaboradores. Essa é a Montana, indústria de máquinas situada no município de São José dos Pinhais (Paraná), na região metropolitana da capital do estado, Curitiba.  

A empresa objetiva desenvolver soluções para a agricultura. Nesse sentido, sua atuação tem como foco fabricar não apenas equipamentos agrícolas, mas sim inovações tecnológicas que façam a diferença no dia-a-dia dos clientes.

Para isso, a Montana conta com funcionários altamente qualificados e treinados continuamente, distribuídos, além da sede, em três filiais: Fraiburgo (Santa Catarina), Rondonópolis (Mato Grosso) e Cacilda (Santa Fé – Argentina). Essas unidades foram criadas com base na estratégia da empresa de estar o mais próxima possível de seus consumidores, a fim de resolver com agilidade problemas específicos. 

Hoje, o portfólio da indústria possui seis linhas de equipamentos: pulverizador – autopropelido, pulverizador – arrasto, pulverizador – acoplado, pulverizador – turbina, pulverizador – canhão e colheitadeira de algodão. Esses produtos são vendidos em todo Brasil por intermédio de 200 pontos de revenda, que operam como representantes da marca.  

Com o propósito de facilitar a aquisição de suas máquinas, a empresa ainda mantém o Consórcio Nacional Montana, por meio do qual os clientes podem comprar de forma parcelada, com prazos de livre escolha e sem juros.  

Além da atuação no mercado interno, a Montana exporta para países como Argentina, Rússia, Ucrânia, África do Sul e Chile

 

Um produto divisor de águas

Embora a história da Montana no agronegócio brasileiro tenha iniciado em 1996, o ano de 2001 guarda um marco fundamental de sua trajetória: o lançamento do pulverizador automotriz Parruda. Tratava-se, na época, de um equipamento sem precedentes no cenário nacional.

Por conta disso, o produto funcionou como um divisor de águas, tanto para o agricultor brasileiro, quanto para a Montana, que conquistou a partir de então liderança no mercado interno.

O sucesso alcançado pelo Parruda propiciou seu desdobramento em três outras máquinas: dois pulverizadores menores, batizados de Parrudinhas, e o Parruda Canavieira, exclusivo para a cultura da cana-de-açúcar.

 

O design como ponto de partida

A Montana, desde o início de sua história, teve o design como um aliado em suas metas de inovação. Para chegar à atual configuração do Parruda, a indústria contou com o trabalho de dois escritórios. Os projetos desenvolvidos por ambos tiveram gestão realizada pelo Centro de Design Paraná, entidade que atuou como facilitadora na relação empresa/escritório.

O MFC,de Curitiba (Paraná), desenvolveu uma primeira versão do Parruda, que foi lançada em 2000 na Agrishow, tradicional feira agrícola realizada em Ribeirão Preto (São Paulo). Nesse evento, houve a venda de oito unidades do novo pulverizador, quantidade que representava a capacidade de produção da indústria para os setes meses seguintes. Em 2001, foram comercializadas outras 25 unidades; em 2002, 49; em 2003, 250; em 2004, 323.

O retorno positivo incentivou a Montana a firmar com o Centro de Design Paraná mais uma parceria em 2005, para a elaboração de uma nova geração do Parruda. O contrato aconteceu no âmbito do Criação Paraná, programa que tinha como propósito apresentar a empresários brasileiros o design na prática. Dessa vez, o escritório Design Inverso, de Joinville (Santa Catarina), assinou o design do produto.

Segundo o diretor-presidente da Montana, Gilberto Zancopé, o trabalho conjunto com o Centro de Design Paraná permitiu usufruir da ligação direta da instituição com o mercado de designers. “Isso facilitou desde a escolha do profissional para executar a proposta até o projeto final do produto, passando pelas fases de planejamento, apresentação e entrega do protótipo”, conta Zancopé. “Esse auxílio evitou muitos erros e possíveis desencontros com o escritório de design, que tem um ritmo diferente da indústria”, completa.

 

Pioneirismo em um cenário favorável

O Parruda nasceu de uma lacuna identificada pela Montana: não havia na época nenhum pulverizador agrícola automotriz totalmente adequado às condições de clima, cultivo e topografia das lavouras brasileiras. Naquele momento, existiam três empresas no país que se posicionavam como concorrentes, duas delas filiais de multinacionais.

Era um período propício para a expansão do mercado nacional de pulverizadores autopropelidos, uma tecnologia até então pouco explorada pelos fabricantes de maquinário agrícola.

Diante desse cenário, a Montana idealizou um equipamento de tração própria, ou seja, uma máquina com motor, cabine e controladores que tornariam desnecessário a acoplagem de um trator. A concretização dessa ideia exigiu da indústria atualizações e investimentos na área de automação.

Além da independência da máquina, o projeto estabeleceu como meta aliar conforto e segurança na atividade de pulverização de defensivos agrícolas.

Esse objetivo deveria se concretizar a partir da entrada facilitada do operador, por meio de escada e corrimão; de uma cabine sem pontos cegos de visibilidade; de um sistema de iluminação adequado; da agilidade na limpeza, abastecimento e verificação do nível dos reservatórios.

 

O passo a passo do Parruda

O desenvolvimento do produto começou com a elaboração de um briefing pelos profissionais da Montana, sob supervisão do Centro de Design Paraná. Baseado em dados colhidos pela própria empresa e em informações obtidas com o público-alvo da nova máquina, esse documento apresentou os requisitos que deveriam ser atendidos pelo escritório MFC.

Entre eles, estavam o design como fator de agregação de valor; a ênfase na robustez, eficácia e comodidade; a facilidade de operação e a alta qualidade técnica. A própria escolha do nome do produto – Parruda – foi determinada com o intuito de destacar essas características essenciais: vigor e desempenho.

Com o briefing em mãos, a equipe do MFC realizou um estudo de alternativas, que propôs ao cliente opções de conceitos orientadores do projeto. A Montana decidiu mesclar dois deles – o Aerolook e o Offroad. Ambos trabalham com design agressivo, de linhas acentuadas, com o propósito de transmitir noções de força e aerodinâmica.

Uma dificuldade do projeto foi seu enxuto cronograma, com apenas três meses reservados para o processo de desenvolvimento. Devido a isso, não foi possível realizar estudos prévios de volumetria e alterações posteriores foram feitas no próprio protótipo. Contudo, o resultado final foi um equipamento de grande eficiência, que equilibra tecnologia, estilo e conforto.

Tanque para 3 mil litros de defensivo; motor MWM 135cv turbo; direção hidrostática; tanque de água limpa; barra autoestável de 25 metros, com acionamento totalmente hidráulico; comando de pulverização eletrônico; rádio; volante escamoteável; banco com suspensão hidráulica regulável; cabine fechada e dotada de ar condicionado, a fim de garantir segurança contra contaminações – nascia assim a primeira versão do Parruda.

Com base nessa experiência, o projeto de design da segunda geração do pulverizador, encabeçado pelo escritório Design Inverso, incorporou uma série de novidades. Entre elas, sistema de abertura de porta com melhor solução ergonômica; aumento da sensação de espaço interno na cabine; viabilização de espaços para abrigar ferramentas, CD player, garrafa térmica e outros itens.

“Essas soluções primam pela simplicidade e racionalidade e são claramente fruto do trabalho conjunto entre a equipe de design externa e a engenharia da empresa, o que é essencial para o sucesso de um projeto”, explica o diretor do Design Inverso, Marcos Sebben.

 

Reconhecimento e expansão

A credibilidade alcançada pelo Parruda no mercado possibilitou à Montana uma grande façanha: em 10 anos, a empresa saiu de um faturamento de R$ 10 milhões para R$ 100 milhões.

O equipamento não gerou apenas retorno financeiro. Em 2008, o pulverizador conquistou os prêmios IDEA/Brasil Ouro e o IDEA/EUA Bronze, na categoria produtos industriais e comerciais.

“Além de destacar a qualidade dos projetos premiados, o IDEA leva o design brasileiro ao universo da economia e dos negócios em âmbito internacional.  Isso abre ainda mais possibilidades de comercialização para o Parruda”, explica o diretor do Design Inve.

 

A lição

O case Parruda coloca-se como uma prova de que investir em design, desde os primeiros estágios de elaboração de um produto, é um excelente negócio. A eficiente gestão do projeto de desenvolvimento desse equipamento foi responsável por projetar a Montana tanto no mercado nacional quanto no cenário internacional. Desse modo, a história da empresa mescla-se com a história do produto, numa trajetória de sucesso e grandes perspectivas de expansão.

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